terça-feira, 27 de setembro de 2011

Palavras de Cecília

Cecília Meireles
Cântico II

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu.
 


Os cântico acima foi extraído da "Antologia Poética", Editora Record - Rio de Janeiro, 1963.

Meu nome é legião, porque somos muitas.


Toda mulher é "um exército", com direito a legião e fortaleza.
Quantas existem dentro de uma? Quantas podem existir? Quantas iremos conhecer? Uma legião. A menina que vira mulher, que vira mãe, que vira referencial, que se vira, para que o mundo não vire de pernas pro ar.
A mulher, às vezes, torna-se uma fortaleza às avessas, protegendo aos que estão em seu redor e trazendo os conflitos dentro de si.
Como eu disse, um exército. Com direito a fortaleza e legião.
Há ocasiões em que vemos uma de cada vez, outras ocasiões que nos deparamos com muitas em uma só: A menina com jeito de mulher e sabedoria de séculos, a mulher com traços da idade e sonhos de menina e tantas outras que não conhecemos e que também não conhecem a si.
Como mulher, sei que sou uma legião, que trago muitas dentro de mim, algumas iguais, outras tão diferentes, compartilhando a mesma política, divergindo em desejos, mudando de opiniões.
A mulher é um paradoxo divino. Deus trouxe, através de uma mulher (Maria), a salvação (Jesus); o diabo trouxe, através de uma mulher (Eva), a perdição (o pecado original).
Antes de eu existir, já existiam todas essas questões, todas essas responsabilidade a cerca da mulher. Quando eu nasci de uma mulher, é claro - porque, abaixo de Deus, só uma mulher pode dar a vida, dar a luz -, trouxe apenas um alma, para tantas vidas e nasceu comigo a glória e a luta de ser mulher, dando ou negando satisfações a mim, a minha mãe, a sociedade e a História.  
Alma é uma palavra feminina, porque tudo que é forte e indomável tem um "quê" de mulher: vida, morte, luta, vitória, derrota, luz, escuridão, bondade, maldade, força, fragilidade, esperança e muitas outras.
Como diria Álvaro de Campos*: Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.

*Álvaro de Campos: um dos heterônimos de Fernando Pessoa, que mesmo sendo homem, também era muitos, talvez pela sua condição efeminada, como comentavam as más línguas. 

Depois vou escrever sobre a língua. Um órgão muscular, tão pequeno, capaz de mudar o curso de toda uma vida.

Joaninha


Fofinha, sim; fútil e frágil, nunca.
Amo joaninhas, elas traduzem a sutileza e a força feminina.
=]
Por traz da "fofura", existe um carcará: "Pega, mata e come!"

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

(Pre)Conceitos

Muitas vezes perdemos coisas tão boas por causa de pré conceitos. Não, não escrevi errado. É assim mesmo que quero dizer: PRÉ CONCEITO. Conceitos pré estabelecidos por NADA.
Adoro o Lenine, mas nunca me dei o trabalho de ouvir direito a letra da música que segue abaixo, só porque era a abertura de uma novela da globo. E daí?! Música é música! Alimento para os ouvidos, quiçá para alma, que repousa, ou não, dentro da gente.

Aquilo que dá no coração (Lenine)

"Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
Incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora,
Futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Avassalador
Chega sem avisar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Aquilo que dá no coração
Que faz perder o ar e a razão
Aquilo reage em cadeia
Incendeia"

Quer saber o pior? Eu assitia a novela. Ainda lembro que a "Quiara" era a culpada e o Fred levou a culpa por ela. O preconceito era com a abertura. Pode?!
Vou fazer a abertura da minha mente, pra ela não se fechar pra mais nada, deixar tudo passar, como uma filtragem, de praxe, pra não arrebatar escandalosamente os meu conceitos pré estabelecidos... rsrsrs

"Arrebatadooor..."

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Podando roseiras

Hj, podei a roseira do meu jardim. Um ato tão bucólico... nunca tinha reparado como vida da gente parece uma poda de roseira.
Há galhos doentes que hesitamos em cortar, porque tem uma rosa bonita.
Um galho doente fragiliza a planta com o passar do tempo. Ele vai ficando forte, seus espinhos mais duros, mais perfurantes, é difíl de cortá-lo depois.
A beleza é tão fugaz. Por que insistimos em usá-la como parâmetro para nossas decisões?
Uma flor bonita não deixou que eu visse a relação doentia que se desenvolvia naquele ramo. Uma rosa. Por uma rosa quase perdi toda a roseira.
Uma rosa, um sorriso, uma feição, uma ilusão.

domingo, 4 de setembro de 2011

Cápsulas

No corre-corre desenfreado dos dias em que vivemos... vivemos??
Nos programamos para aproveitar melhor um tempo que não temos e uma vida que deixamos passar sem nos dar conta que não vivemos.
Hoje, as pessoas vivem sem muitas coisas, mas quase ninguém vive sem uma cápsula.
Um medicamento "de estimação" que muitas vezes tomamos, sem prescrição médica, para sanar de forma rápida os males do cotidiano.
Você tomou a sua drágea hoje? Não? E ontem? Não? Com certeza tomou alguma nessa semana que passou ou tomará uma na semana que virá.
Está gordo? Tome uma cápsula para emagrecer.
Está magro? Tome uma cápsula para engordar.
Está triste? Tome uma cápsula pra ficar feliz.
Quer dormir? Quer acordar? Quer... Quer... Cápsulas... Cápsulas...
Ei!
Eu quero um céu azul, mas com algumas nuvens pra eu poder imaginar formas. Põe numa cápsula pra mim. Não dá?
Então, me dá um comprimido de sol que aqueça na medida certa, um calor gostoso, quente e aconchegante. Não pode? Por quê? Derrete?
Troca. Pega uma pílula com uma brisa refrescante com cheiro de natureza no vento trazendo uma paz alegre capaz de instalar um risinho discreto completamente espontâneo no rosto. Só tem fluoxetina?
Puxa! As melhores coisas não estão em drágeas.
Preciso de tempo pra viver minha vida DE VERDADE...
Enquanto isso, vou substituir a cápsula de veiculação de fármacos por uma cápsula do tempo imaginária . Vou voltar até a década de 80, quando eu era criança e podia sentir a "aguinha" nas folhas da grama sob os meus pés, mesmo estando no fundo de uma rede, com febre, comendo biscoito Maria e tomando guaraná Taí.
Lembro da inocência da minha mãe quando me via tão feliz mesmo estando doente: "Essa menina parece que tá ficando doida..." Tão ingênua... mal sabia ela que eu estava presa naquele quarto, mas a minha imaginação corria descalça, solta, lá fora, sem adoecer com o cheiro do mormaço do jardim.
=]

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

(A)mostra

Li no dicionário:

Significado de Amostra

s.f. Ação de amostrar; mostra; demonstração.
Exposição.
Pequena porção de mercadoria para mostrar a sua qualidade.

Então, quis fazer a mostra de pequenas amostras do que nunca mostro e do que está sempre à mostra em mim.