terça-feira, 27 de setembro de 2011

Meu nome é legião, porque somos muitas.


Toda mulher é "um exército", com direito a legião e fortaleza.
Quantas existem dentro de uma? Quantas podem existir? Quantas iremos conhecer? Uma legião. A menina que vira mulher, que vira mãe, que vira referencial, que se vira, para que o mundo não vire de pernas pro ar.
A mulher, às vezes, torna-se uma fortaleza às avessas, protegendo aos que estão em seu redor e trazendo os conflitos dentro de si.
Como eu disse, um exército. Com direito a fortaleza e legião.
Há ocasiões em que vemos uma de cada vez, outras ocasiões que nos deparamos com muitas em uma só: A menina com jeito de mulher e sabedoria de séculos, a mulher com traços da idade e sonhos de menina e tantas outras que não conhecemos e que também não conhecem a si.
Como mulher, sei que sou uma legião, que trago muitas dentro de mim, algumas iguais, outras tão diferentes, compartilhando a mesma política, divergindo em desejos, mudando de opiniões.
A mulher é um paradoxo divino. Deus trouxe, através de uma mulher (Maria), a salvação (Jesus); o diabo trouxe, através de uma mulher (Eva), a perdição (o pecado original).
Antes de eu existir, já existiam todas essas questões, todas essas responsabilidade a cerca da mulher. Quando eu nasci de uma mulher, é claro - porque, abaixo de Deus, só uma mulher pode dar a vida, dar a luz -, trouxe apenas um alma, para tantas vidas e nasceu comigo a glória e a luta de ser mulher, dando ou negando satisfações a mim, a minha mãe, a sociedade e a História.  
Alma é uma palavra feminina, porque tudo que é forte e indomável tem um "quê" de mulher: vida, morte, luta, vitória, derrota, luz, escuridão, bondade, maldade, força, fragilidade, esperança e muitas outras.
Como diria Álvaro de Campos*: Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.

*Álvaro de Campos: um dos heterônimos de Fernando Pessoa, que mesmo sendo homem, também era muitos, talvez pela sua condição efeminada, como comentavam as más línguas. 

Depois vou escrever sobre a língua. Um órgão muscular, tão pequeno, capaz de mudar o curso de toda uma vida.

Um comentário:

  1. Menina! Que belo texto!
    A paixão pela força da mulher nos leva tão além...
    Hoje eu posso dizer que sou sim, feminista com orgulho!
    Indicação de Filme:
    TERRA FRIA.
    bjos!

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