Toda mulher é "um exército", com direito a legião e fortaleza.
Quantas existem dentro de uma? Quantas podem existir? Quantas iremos conhecer? Uma legião. A menina que vira mulher, que vira mãe, que vira referencial, que se vira, para que o mundo não vire de pernas pro ar.
A mulher, às vezes, torna-se uma fortaleza às avessas, protegendo aos que estão em seu redor e trazendo os conflitos dentro de si.
Como eu disse, um exército. Com direito a fortaleza e legião.
Há ocasiões em que vemos uma de cada vez, outras ocasiões que nos deparamos com muitas em uma só: A menina com jeito de mulher e sabedoria de séculos, a mulher com traços da idade e sonhos de menina e tantas outras que não conhecemos e que também não conhecem a si.Como mulher, sei que sou uma legião, que trago muitas dentro de mim, algumas iguais, outras tão diferentes, compartilhando a mesma política, divergindo em desejos, mudando de opiniões.
A mulher é um paradoxo divino. Deus trouxe, através de uma mulher (Maria), a salvação (Jesus); o diabo trouxe, através de uma mulher (Eva), a perdição (o pecado original).
Antes de eu existir, já existiam todas essas questões, todas essas responsabilidade a cerca da mulher. Quando eu nasci de uma mulher, é claro - porque, abaixo de Deus, só uma mulher pode dar a vida, dar a luz -, trouxe apenas um alma, para tantas vidas e nasceu comigo a glória e a luta de ser mulher, dando ou negando satisfações a mim, a minha mãe, a sociedade e a História.
Alma é uma palavra feminina, porque tudo que é forte e indomável tem um "quê" de mulher: vida, morte, luta, vitória, derrota, luz, escuridão, bondade, maldade, força, fragilidade, esperança e muitas outras.
Como diria Álvaro de Campos*: Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.
*Álvaro de Campos: um dos heterônimos de Fernando Pessoa, que mesmo sendo homem, também era muitos, talvez pela sua condição efeminada, como comentavam as más línguas.
Depois vou escrever sobre a língua. Um órgão muscular, tão pequeno, capaz de mudar o curso de toda uma vida.



Menina! Que belo texto!
ResponderExcluirA paixão pela força da mulher nos leva tão além...
Hoje eu posso dizer que sou sim, feminista com orgulho!
Indicação de Filme:
TERRA FRIA.
bjos!